Startup israelense quer revolucionar produção de hidrogênio verde com tecnologia desenvolvida no Technion

Uma tecnologia desenvolvida em laboratórios do Technion, em Israel, pode ajudar a enfrentar um dos principais desafios para a expansão do hidrogênio verde: o custo de produção.

A solução é desenvolvida pela H2Pro, empresa israelense que criou uma nova abordagem para a eletrólise da água. Em vez de produzir hidrogênio e oxigênio simultaneamente, como ocorre nos sistemas convencionais, a tecnologia separa os dois processos no tempo. A proposta é reduzir a complexidade do sistema e aumentar sua eficiência.

O conceito começou a ser desenvolvido em 2012 por pesquisadores do Technion, entre eles os professores Avner Rothschild e Gideon Grader, além dos pesquisadores Chen Dotan e Abigail Landman. O trabalho científico que deu origem à tecnologia foi publicado em 2019 na revista Nature Energy.

A tecnologia, inicialmente chamada E-TAC, evoluiu para o sistema DWE, sigla em inglês para Decoupled Water Electrolysis. Na prática, a solução permite produzir hidrogênio em uma etapa e oxigênio em outra, eliminando a necessidade de que os dois gases sejam gerados simultaneamente.

Da pesquisa acadêmica ao mercado global

A H2Pro foi criada em 2019 para transformar a pesquisa desenvolvida no Technion em uma tecnologia comercial. Desde então, a empresa já captou mais de US$ 100 milhões em investimentos, com participação de nomes como Breakthrough Energy Ventures, fundo criado por Bill Gates, além de Temasek, ArcelorMittal, Sumitomo e Yara.

A companhia emprega cerca de 100 pessoas e mantém atividades de pesquisa, desenvolvimento e testes em Israel. No parque industrial de Tziporit, no norte do país, opera atualmente uma planta-piloto de 0,5 megawatt.

Agora, o objetivo é levar a tecnologia para uma escala industrial.

Em 2026, a H2Pro anunciou projetos na Espanha. Um deles, desenvolvido em parceria com a Doral, prevê inicialmente um sistema de 5 megawatts conectado diretamente a uma instalação solar, com possibilidade de expansão para 50 megawatts.

Outro projeto, na região de Tarragona, deve começar com 25 megawatts e chegar a até 150 megawatts em 2032.

Transformando sol e água em combustível

O hidrogênio verde é considerado uma alternativa importante para setores nos quais a eletrificação direta é mais complexa, como indústria pesada, produção de aço, produtos químicos e transporte de carga.

Sua produção utiliza eletricidade de fontes renováveis, como solar e eólica, para separar a água em hidrogênio e oxigênio. O problema é que os custos atuais ainda dificultam sua adoção em larga escala.

É justamente nesse ponto que a H2Pro pretende atuar.

A empresa aposta em uma tecnologia capaz de operar diretamente com fontes renováveis intermitentes, como a energia solar, sem depender continuamente da rede elétrica ou de grandes sistemas de baterias.

O desafio agora é transformar a inovação comprovada em laboratório e em projetos-piloto em uma solução capaz de operar durante anos em escala industrial e com custos competitivos.

Se conseguir avançar nessa etapa, a tecnologia israelense poderá contribuir para transformar energia solar e eólica em um combustível que pode ser armazenado, transportado e utilizado em setores nos quais a eletrificação convencional ainda encontra limitações.

Mais uma vez, uma pesquisa desenvolvida em Israel deixa os laboratórios e começa a buscar espaço no mercado global.