Startup israelense desenvolve tecnologia que pode ajudar a resfriar o planeta

Uma startup israelense está desenvolvendo uma tecnologia que pode abrir uma nova frente na busca por soluções para o aquecimento global. A Stardust Solutions, empresa criada em Israel em 2023, pesquisa partículas capazes de refletir parte da radiação solar de volta ao espaço e, com isso, contribuir para a redução das temperaturas globais.

A proposta utiliza partículas produzidas a partir de materiais como sílica amorfa, utilizada inclusive como aditivo alimentar, e carbonato de cálcio, mineral presente nas cascas de ovos e no calcário. A ideia é que essas partículas sejam dispersadas em grandes altitudes, onde poderiam refletir uma pequena parcela da luz solar antes que ela aqueça a superfície terrestre.

O projeto coloca Israel mais uma vez no centro de uma área de inovação com potencial de impacto global. A Stardust foi fundada por pesquisadores com experiência em física e ciência nuclear em instituições israelenses, e reúne cientistas, engenheiros e pesquisadores dedicados ao desenvolvimento da chamada Sunlight Reflection Technology, ou tecnologia de reflexão da luz solar.

Entre os pesquisadores ligados à empresa está Yanai Yedvab, CEO e cofundador, que atuou como vice-chefe de ciência da Comissão de Energia Atômica de Israel. Também faz parte da equipe Amyad Spector, físico que trabalhou no Centro de Pesquisa Nuclear de Negev, e o cientista Eli Waxman, do Instituto Weizmann de Ciência.

Da ciência israelense para um desafio global

A proposta da Stardust faz parte de uma área conhecida como geoengenharia solar, que busca desenvolver ferramentas capazes de reduzir temporariamente o aquecimento do planeta por meio da reflexão de parte da radiação solar.

Segundo a própria empresa, sua tecnologia pretende reproduzir um fenômeno que já ocorre naturalmente na atmosfera. A diferença estaria no desenvolvimento de partículas projetadas para serem mais controláveis e na possibilidade de estudar sua aplicação de maneira gradual e baseada em evidências científicas.

O projeto também evidencia uma característica marcante do ecossistema israelense de inovação: a conexão entre pesquisa científica avançada, empreendedorismo e busca por soluções para problemas complexos.

A Stardust mantém colaboração com pesquisadores de instituições como Universidade Hebraica, Universidade de Tel Aviv e Technion, além de universidades internacionais. Entre os trabalhos publicados pela empresa estão pesquisas sobre partículas de sílica amorfa e sua interação com a atmosfera, além de estudos sobre a dispersão de partículas em altitudes elevadas.

Uma tecnologia que ainda está sendo estudada

Apesar do potencial, a tecnologia ainda está em desenvolvimento e não deve ser apresentada como uma solução comprovada para a crise climática. Cientistas também alertam que intervenções na atmosfera em escala global precisam ser estudadas cuidadosamente, devido à possibilidade de efeitos climáticos inesperados.

A própria Stardust defende uma abordagem baseada em pesquisa, segurança, controle e participação de governos e instituições internacionais antes de qualquer eventual aplicação em larga escala.

A empresa estima que uma eventual operação global poderia custar cerca de US$ 10 bilhões por ano, valor que chamou atenção justamente pela possibilidade de uma tecnologia relativamente acessível atuar como uma ferramenta complementar diante do avanço do aquecimento global.

Mais do que uma promessa imediata, o projeto representa uma aposta na capacidade da ciência de criar novas alternativas para desafios que afetam todo o planeta.

E, mais uma vez, Israel aparece onde sua indústria de inovação costuma se destacar: transformando conhecimento científico, pesquisa e tecnologia em ideias que buscam responder a alguns dos maiores desafios do mundo.