Sensível às mudanças climáticas, doenças que afetam as plantações e oscilações da cadeia global de abastecimento, o cacau enfrenta desafios crescentes para atender à demanda da indústria de chocolates. Em busca de uma alternativa, a startup israelense Celleste Bio anunciou a produção de barras utilizando manteiga de cacau cultivada em laboratório.
A empresa, citada pelo CalcalisTech, diz que seu ingrediente é “bioidêntico” à manteiga de cacau produzida convencionalmente, oferecendo o mesmo perfil de derretimento e textura, e que pode funcionar como substituto direto nos processos de fabricação existentes.
Para validar a nova matéria-prima, a Celleste contou com a parceria da Mondelēz International. A multinacional dona das marcas Lacta, Milka e Toblerone, dentre outras, a utilizou na produção de quase uma dúzia de protótipos de barras de chocolate, avaliando seu comportamento em condições semelhantes às da fabricação industrial.
A tecnologia desenvolvida pela startup israelense, fundada em 2022, utiliza cultura de suspensão celular, técnica na qual células vegetais são cultivadas em ambiente controlado dentro de biorreatores, dispensando o plantio em solo.
A empresa afirma já possuir uma unidade piloto em operação e prevê ampliar a produção para volumes comercialmente viáveis nos próximos dois anos.
Além da fabricação do ingrediente, a plataforma incorpora modelos computacionais baseados em inteligência artificial. De acordo com a startup, esse recurso permitirá que fabricantes desenvolvam manteigas de cacau com características específicas, ajustando propriedades como ponto de fusão e perfil de sabor conforme a aplicação desejada.
Caso essa possibilidade seja confirmada em escala comercial, o processo oferecerá à indústria um nível de controle sobre o ingrediente que atualmente depende das características naturais da matéria-prima produzida nas lavouras.
Outro ponto destacado pela Celleste Bio é que seu processo poderia reduzir drasticamente o impacto da produção do cacau, que exige o uso significativo de terras e está intimamente ligado ao desmatamento em algumas regiões.
A empresa afirma que um único grão de cacau poderia ser usado para gerar até uma tonelada de manteiga de cacau anualmente em um biorreator de 1.000 litros, uma produção que, de outra forma, exigiria cerca de um hectare de cacaueiros.
Fonte: Época Negócios
