Radar israelense monitora sinais vitais remotamente e sem contato físico

Pesquisadores do Instituto Weizmann, em Israel, desenvolveram um sistema inovador de monitoramento remoto de pacientes que dispensa fios, sensores de contato e reduz o risco de infecções hospitalares. A tecnologia, batizada de BRAHMS (Sistema de Monitoramento de Saúde por Bioradar), é capaz de acompanhar sinais vitais com alta precisão utilizando ondas de radar.

A iniciativa nasceu em meio à pandemia de Covid-19, quando a professora Yonina Eldar, ganhadora do Prêmio Israel, lançou uma convocação virtual a médicos de todo o país para identificar as principais carências do sistema de saúde. Uma das preocupações centrais apontadas foi o risco de contaminação durante o monitoramento físico de pacientes. Para Eldar, esse cenário revelava um atraso histórico da medicina em relação a outras áreas tecnológicas como as comunicações e o entretenimento.

Com experiência em aplicações de radar para veículos autônomos e defesa, Eldar decidiu adaptar essa tecnologia para a saúde. O radar, por emitir ondas eletromagnéticas seguras para humanos, já é usado para monitoramento de ambientes e presença de pessoas. A proposta era ir além: captar os pequenos movimentos do tórax humano e interpretá-los como dados clínicos confiáveis.

Após cinco anos de pesquisa, o laboratório de Eldar desenvolveu o BRAHMS, um sistema que mede em tempo real frequência cardíaca, frequência respiratória e função pulmonar, com potencial de expansão para monitoramento de pressão arterial e distúrbios como apneia do sono.

O radar opera a partir de ondas milimétricas (mmWave), sensíveis o bastante para detectar até mesmo os sutis movimentos do peito de um bebê dormindo, mesmo por cima das roupas ou cobertores. O alcance do sistema, em ambientes internos, pode chegar a nove metros — tornando-o ideal para uso em UTIs, pronto-socorros, unidades de cuidados intensivos, pediatria e lares de idosos.

Um dos grandes diferenciais do BRAHMS é a capacidade de monitorar simultaneamente múltiplos pacientes, mesmo em ambientes ruidosos e cheios. Ele identifica automaticamente todas as pessoas presentes, mede seus sinais vitais e envia os dados a um monitor. Caso alguma alteração preocupante seja registrada, a equipe médica é alertada em tempo real.

Além da precisão, o sistema elimina desconfortos frequentes causados por dispositivos de contato, como fios soltos, irritações na pele ou complicações associadas a sensores tradicionais — que afetam cerca de 40% dos pacientes em UTIs, segundo estimativas citadas por Eldar.

A tecnologia foi desenvolvida por uma equipe multidisciplinar composta por engenheiros, matemáticos e físicos, com liderança do doutorando Yonathan Eder, a especialista em algoritmos Luda Nisnevich, os engenheiros Shlomi Savariego e Moshe Namer, e o gerente clínico Dr. Adi Wegerhoff.

A pesquisa é apoiada por diversas instituições, incluindo o Swiss Society Institute for Cancer Prevention Research e o fundo Gilbert S. Omenn & Martha A. Darling – Schneider Hospital Fund for Clinical Breakthroughs through Scientific Collaborations.

O BRAHMS avança rumo à fase de comercialização com a promessa de transformar o modo como pacientes são monitorados — de forma remota, precisa, confortável e segura.

Fonte: Israel21c
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