Paciente israelense com Parkinson passa por cirurgia cerebral sob hipnose

A medicina israelense voltou a demonstrar sua capacidade de inovação com um procedimento raro realizado no Centro Médico da Galileia, em Nahariya. Um paciente de 71 anos diagnosticado com doença de Parkinson foi submetido a uma cirurgia de estimulação cerebral profunda (Deep Brain Stimulation – DBS) enquanto permanecia completamente acordado e sob hipnose durante todo o procedimento.

A técnica permitiu que a equipe médica implantasse eletrodos em regiões específicas do cérebro monitorando, em tempo real, a resposta do paciente, aumentando a precisão da cirurgia e reduzindo o desconforto durante uma operação que durou cerca de cinco horas.

Hipnose como ferramenta médica

O paciente, Ali Abu-Ria, sofria com tremores intensos causados pelo Parkinson e não pôde utilizar sua medicação habitual antes da cirurgia, condição necessária para que os médicos avaliassem com precisão o efeito da estimulação cerebral. Sem os medicamentos, porém, ele apresentava rigidez muscular e níveis elevados de ansiedade.

Para contornar esse desafio, a equipe recorreu à hipnose clínica, conduzida pelo Dr. Udi Bonstein, diretor dos Serviços Psicológicos do hospital e hipnoterapeuta licenciado.

Durante todo o procedimento, Bonstein manteve o paciente em profundo estado de relaxamento por meio da voz e de técnicas de concentração. Segundo o médico, o objetivo foi direcionar completamente a atenção do paciente, reduzindo a percepção de dor e ansiedade enquanto a equipe realizava a delicada intervenção neurocirúrgica.

Após a cirurgia, Abu-Ria descreveu a experiência como surpreendentemente tranquila.

“Lembro-me de tudo como uma boa experiência. Imaginei que estava fazendo uma viagem para a Tailândia. Hoje me sinto uma pessoa nova e os tremores desapareceram”, relatou.

Precisão em tempo real

A estimulação cerebral profunda é um dos tratamentos mais eficazes para pacientes com Parkinson avançado cujos sintomas deixam de responder adequadamente aos medicamentos.

Ao manter o paciente acordado, os médicos conseguem testar imediatamente a posição dos eletrodos, verificando se a estimulação reduz os tremores sem provocar efeitos colaterais indesejados.

Segundo o professor Samih Badarna, chefe do Departamento de Neurologia do Centro Médico da Galileia, essa interação em tempo real é um dos principais fatores para o sucesso do procedimento.

O neurocirurgião Dr. Yuval Gruber destacou que a tranquilidade demonstrada pelo paciente durante toda a cirurgia foi um caso incomum, mesmo para profissionais experientes na realização desse tipo de intervenção.

Israel amplia o uso da hipnose na medicina

A cirurgia também reflete um movimento mais amplo do Centro Médico da Galileia para incorporar abordagens inovadoras ao atendimento clínico. Recentemente, o hospital inaugurou uma clínica especializada em hipnose médica, reunindo cerca de 20 médicos e psicólogos treinados para aplicar a técnica em diferentes especialidades.

Além de reduzir ansiedade e dor, a hipnose vem sendo estudada como ferramenta complementar em procedimentos cirúrgicos, tratamentos de dor crônica e outras intervenções médicas, ampliando as possibilidades de uma medicina cada vez mais personalizada e menos invasiva.

Inovação a serviço da saúde

Reconhecido internacionalmente por seu ecossistema de inovação, Israel continua investindo na integração entre tecnologia, pesquisa e prática clínica. A combinação de neurocirurgia de alta precisão, monitoramento em tempo real e hipnose clínica demonstra como diferentes áreas do conhecimento podem convergir para oferecer tratamentos mais seguros, eficazes e centrados no paciente.

Casos como esse reforçam o papel do país como um dos principais polos globais de inovação em saúde, onde novas abordagens médicas rapidamente saem dos laboratórios para beneficiar pacientes na prática clínica.

Foto: Roni Albert / Cortesia do Centro Médico da Galileia.