Israel avança na medicina regenerativa com tecnologia que pode devolver movimentos a pessoas com paralisia

Pesquisa desenvolvida na Universidade de Tel Aviv se aproxima de possível primeiro implante neural personalizado em um paciente com lesão na medula

Uma tecnologia desenvolvida em Israel pode abrir um novo capítulo na medicina regenerativa e, no futuro, oferecer uma nova perspectiva para milhões de pessoas que vivem com paralisia após lesões na medula espinhal.

Desenvolvida pelo professor Tal Dvir, da Universidade de Tel Aviv, a inovação utiliza células do próprio paciente para criar um implante neural biológico personalizado. A tecnologia agora avança em direção a uma possível primeira aplicação em seres humanos por meio de uma parceria entre a empresa de biotecnologia israelense Matricelf e o Loewenstein Rehabilitation Medical Center, um dos principais centros de Israel especializados na reabilitação de lesões da medula.

O projeto representa mais um exemplo da capacidade de Israel de transformar pesquisa científica de ponta em tecnologias com potencial para mudar vidas.

Um implante feito sob medida

A proposta é tão inovadora quanto ambiciosa: utilizar as próprias células do paciente como matéria-prima para desenvolver um implante específico para sua lesão.

Em um eventual procedimento, uma amostra de sangue do paciente será utilizada para produzir células-tronco pluripotentes induzidas (iPSCs). Essas células poderão então ser empregadas na fabricação do componente celular do implante neural.

O implante seria colocado na região lesionada da medula com o objetivo de estimular a regeneração do tecido nervoso danificado e ajudar a restabelecer as conexões entre o cérebro e o restante do corpo.

A pesquisa que deu origem à tecnologia foi conduzida no Sagol Center for Regenerative Medicine, da Universidade de Tel Aviv. O professor Tal Dvir, responsável pelo trabalho científico, também é Chief Scientist da Matricelf.

Da universidade para a possibilidade de chegar aos pacientes

A parceria com o Loewenstein Rehabilitation Medical Center terá como uma de suas funções identificar e avaliar potenciais pacientes, além de preparar a produção dos implantes personalizados.

A iniciativa dá continuidade à colaboração da Matricelf com o Sheba Medical Center, onde está prevista a realização do primeiro procedimento de implantação, caso todas as etapas científicas e regulatórias sejam concluídas. Como cada implante leva meses para ser produzido, a identificação antecipada de potenciais pacientes permite que parte da preparação avance paralelamente ao processo regulatório.

A expectativa da empresa é que, se todas as aprovações necessárias forem obtidas, o tratamento do primeiro paciente selecionado possa começar no primeiro semestre de 2027.

Um avanço promissor para a medicina

Apesar do potencial, a tecnologia ainda não foi testada em seres humanos. A seleção de possíveis pacientes não representa aprovação de ensaio clínico ou autorização para implantação. O projeto ainda depende das etapas científicas e regulatórias necessárias e da aprovação final do Ministério da Saúde de Israel.

Ainda assim, o caminho percorrido pela pesquisa — dos laboratórios da Universidade de Tel Aviv à preparação para uma possível primeira aplicação clínica — demonstra a força do ecossistema israelense de inovação científica.

Mais do que desenvolver novas tecnologias, Israel vem construindo soluções para alguns dos desafios mais complexos da humanidade. Neste caso, a aposta é especialmente transformadora: fazer com que, no futuro, uma lesão da medula possa não apenas ser reabilitada, mas reparada.

É a ciência israelense abrindo novos caminhos para devolver movimento, autonomia e esperança a quem vive com paralisia.