Israel avança em descoberta que pode “desligar” o câncer no cérebro

Uma nova fronteira na oncologia está sendo desenhada por cientistas israelenses. Pesquisas conduzidas pela Universidade de Tel Aviv e pelo Instituto Weizmann de Ciências, em colaboração internacional, identificaram mecanismos que podem interromper o avanço de tumores cerebrais altamente agressivos — abrindo caminho para terapias mais eficazes.

Os estudos concentram-se principalmente no glioblastoma, considerado o tipo mais letal de câncer cerebral.

Como o tumor “engana” o cérebro

Uma das descobertas centrais envolve as células chamadas astrócitos, responsáveis por diversas funções de suporte no cérebro. Os pesquisadores identificaram que essas células podem fornecer energia essencial para a sobrevivência e o crescimento do tumor.

Ao bloquear esse fornecimento energético em testes laboratoriais, os cientistas conseguiram literalmente “matar de fome” células de glioblastoma, reduzindo sua capacidade de proliferação.

O achado revela um novo alvo terapêutico: em vez de atacar apenas o tumor, a estratégia passa a interferir no ambiente que o sustenta.

Imunoterapia de precisão com CAR-T

Outro avanço anunciado no início de fevereiro de 2026 envolve o uso de células CAR-T modificadas para reconhecer proteínas específicas presentes em tumores cerebrais.

A terapia CAR-T já transformou o tratamento de certos tipos de leucemia ao reprogramar células de defesa do próprio paciente para combater o câncer. Agora, pesquisadores israelenses demonstram que a técnica pode ser adaptada para atuar no cérebro — um dos ambientes mais desafiadores da medicina oncológica.

Além dos tumores, os estudos indicam potencial aplicação futura em doenças neurodegenerativas.

Bloqueio de metástases cerebrais

Os pesquisadores também avançaram na compreensão de como o câncer de mama se espalha para o cérebro. O foco está no gene p53, frequentemente chamado de “guardião do genoma”, por sua função na proteção contra mutações celulares.

O fortalecimento da atividade do p53 demonstrou capacidade de impedir que células cancerígenas invadam o sistema nervoso central, criando uma possível barreira biológica contra metástases cerebrais.

Superando a barreira hematoencefálica

O câncer cerebral é particularmente difícil de tratar devido à barreira hematoencefálica — um mecanismo natural de proteção que impede a entrada da maioria dos medicamentos no cérebro.

As abordagens desenvolvidas em Israel buscam contornar esse obstáculo de duas maneiras: abrindo temporariamente caminhos controlados para o tratamento ou utilizando o próprio sistema imunológico para atacar o tumor “por dentro”.

Próximos passos

As pesquisas seguem agora para fases clínicas em humanos. A expectativa é que, nos próximos anos, novos medicamentos e protocolos baseados nessas descobertas possam chegar ao mercado.

Os avanços reforçam a posição de Israel como um dos polos globais de inovação em biotecnologia e saúde, demonstrando como investimento contínuo em ciência aplicada pode gerar impactos concretos para milhões de pacientes no mundo inteiro.