O avanço das redes privativas, da Internet das Coisas (IoT) e das MVNOs está redesenhando a infraestrutura crítica do país e acelerando a digitalização de indústrias, cidades e serviços públicos. Esse foi o tom dominante do evento “IoT, Redes Privativas e MVNOs – Acelerando Negócios”, realizado no último dia 19 de novembro, em São Paulo, com apoio institucional da BRIL Chamber.
Reunindo líderes empresariais, especialistas técnicos e representantes do governo, o encontro mostrou que o Brasil vive um momento singular: ao mesmo tempo em que amplia o uso prático das redes privativas, desenvolve um modelo nacional de arquitetura híbrida, integrando operadoras, ISPs, core local e edge computing — um caminho que já começa a influenciar inclusive outros mercados.
Indústria lidera adoção: redes privativas deixam a teoria e mudam processos produtivos
O painel que abriu o evento — “Redes Privativas na Indústria: Automação, Segurança e Produtividade” — e que ilustra a foto oficial da cobertura, reuniu representantes da Surf Telecom, TIP Brasil, Arqia, Telebit e KPMG. O debate, moderado por Luiz Henrique Barbosa (TelComp), destacou que as redes privativas já estão aumentando a produtividade, reduzindo falhas e permitindo novos modelos de automação.
Os painelistas afirmaram que setores como manufatura, mineração e logística já operam com redes dedicadas, e que o país criou uma solução própria, mais flexível que a adotada em outras regiões. Entre os destaques, a constatação de que o Brasil avança rapidamente graças a uma combinação de espectro licenciado, uso complementar de operadoras tradicionais e aplicações movidas por edge computing.

IA aumenta a pressão por dados mais confiáveis
Em sua keynote, Frank Meylan, sócio-líder de Tecnologia e Inovação da KPMG, alertou que a expansão da inteligência artificial está pressionando empresas a melhorar a qualidade dos dados capturados por sensores e dispositivos IoT.
Segundo ele, sem dados estruturados e processos de coleta consistentes, “não existe implementação séria de IA”. A avaliação reforça o movimento do mercado, que busca redes privativas não apenas por segurança e latência, mas também para garantir precisão nos dados que alimentam modelos de automação e analytics.
Casos reais confirmam maturidade da tecnologia
Se havia dúvidas sobre a aplicabilidade das redes privativas, elas foram derrubadas no painel sobre aplicações urbanas.
Executivos de Rede Globo, FonNet, Siga Antenado e Porto de Santos apresentaram projetos em operação, e não apenas pilotos, demonstrando que:
- o Carnaval do Rio já utiliza rede privativa 5G para transmissões 4K;
- veículos de imprensa são conectados por rede privada fixa na Av. Paulista;
- cidades estruturam sistemas de segurança pública com armazenamento e processamento local;
- o Porto de Santos avança para operar gêmeos digitais e sensores críticos com rede dedicada.
Esses exemplos mostram que o Brasil já tem uso em escala em eventos, cidades e infraestruturas estratégicas.
MVNOs exigem mais segurança regulatória
Outro ponto quente do evento foi o debate sobre o papel das MVNOs na inovação. Representantes de Anatel, EMNIFY, Algar, Itnet, Mambo WiFi, TechEnabler e CPQD afirmaram que as operadoras móveis virtuais são hoje “a cola” entre empresas, integradores e redes privativas.
Mas o setor enfrenta entraves: falta de clareza regulatória, dificuldade de acesso a espectro e excesso de burocracia para licenciamento. O painel reforçou pedidos por segurança jurídica e um ambiente que incentive modelos de negócio baseados em IoT massiva e oferta de serviços especializados.
Integração de ecossistemas é o próximo desafio
Encerrando a programação, CEOs e especialistas discutiram como unificar operadoras, integradores, MVNEs e plataformas de IoT em um ambiente cooperativo. Para eles, o Brasil precisa avançar em:
- sandbox regulatório;
- padronização de arquitetura;
- incentivo a parcerias público-privadas;
- criação de hubs que acelerem projetos críticos.
A avaliação é que a fragmentação atual do setor ainda encarece projetos e atrasa a adoção de soluções de maior impacto.
BRIL Chamber reforça compromisso com a inovação
Como apoiadora institucional, a BRIL Chamber enfatizou a relevância de iniciativas que aproximam mercado, reguladores e especialistas, fortalecendo o ambiente de negócios e impulsionando a conectividade inteligente.
O evento mostrou que o Brasil está num ponto de virada: deixa de testar redes privativas para escalá-las, e transforma IoT e conectividade em pilares estratégicos da economia digital.
