Israel é reconhecido mundialmente por sua capacidade de transformar desafios em inovação. E uma das histórias que melhor traduz esse espírito é a de Uri Levine, empreendedor israelense e cofundador do Waze e do Moovit, duas startups que alcançaram o status de unicórnio e foram posteriormente adquiridas por grandes empresas de tecnologia.
Agora, Levine quer levar essa experiência para uma nova geração de empreendedores brasileiros. O Brasil foi escolhido como primeiro mercado para a Uri Levine Startup Academy, plataforma de educação voltada a fundadores e pessoas que desejam criar e desenvolver startups. O lançamento está previsto para 28 de agosto de 2026, com a meta de contribuir para a formação de até 100 mil empreendedores.
A escolha do Brasil não é por acaso. Segundo Levine, o país passou por uma transformação significativa no ecossistema de inovação desde a chegada do Waze ao mercado brasileiro, em 2011. Naquele momento, não havia nenhum unicórnio brasileiro. Hoje, a América Latina já conta com mais de 50 empresas desse porte, várias delas brasileiras.
“O Brasil me ajudou a alcançar o sucesso. Agora, eu quero ajudar o Brasil a ser ainda mais bem-sucedido”, afirmou Levine.
Do problema à inovação
A trajetória de Uri Levine começou com uma inquietação simples: o trânsito. Ao identificar um problema cotidiano, ele ajudou a criar o Waze, aplicativo que revolucionou a maneira como milhões de pessoas se deslocam pelas cidades.
O Waze foi adquirido pelo Google em 2013 por mais de US$ 1 bilhão. Anos depois, Levine também esteve entre os responsáveis pelo sucesso do Moovit, plataforma de mobilidade urbana adquirida pela Intel em 2020 por cerca de US$ 1 bilhão.
A filosofia por trás dos dois negócios tornou-se uma das principais marcas de Levine: apaixonar-se pelo problema, e não pela solução. Para ele, empreendedores precisam identificar dores reais e criar produtos que efetivamente gerem valor para as pessoas.
“Se você tem medo de fracassar, na verdade já fracassou”, é outra das ideias defendidas pelo empreendedor. Para Levine, experimentar, errar rapidamente e aprender com os erros faz parte da construção de uma empresa inovadora.
Israel como referência mundial
A história de Levine também evidencia uma das principais características do ecossistema israelense de inovação: a capacidade de transformar problemas complexos em oportunidades para criar soluções que alcançam o mundo.
Conhecido como Startup Nation, Israel desenvolveu um ambiente que reúne empreendedores, investidores, universidades, tecnologia e uma forte cultura de experimentação. A trajetória do Waze é um exemplo emblemático desse modelo: uma solução criada em Israel para um problema cotidiano tornou-se uma plataforma global.
Levine já destacou que o ecossistema israelense foi fundamental para o desenvolvimento de empresas inovadoras e que o país possui uma das maiores concentrações de startups por habitante do mundo.
Brasil tem potencial para novos unicórnios
Na avaliação de Levine, o Brasil possui condições para criar muitas outras empresas de grande impacto. Ele aponta setores como finanças, agricultura, educação, saúde e energia como áreas com enorme potencial para novos negócios.
O empreendedor também chama atenção para uma característica brasileira que pode ser uma vantagem competitiva: a dimensão do mercado e a quantidade de problemas que ainda podem ser solucionados por meio da inovação.
Para ele, a lógica é simples: quanto maior o problema e maior o número de pessoas afetadas, maior pode ser o impacto de uma solução bem construída.
A aproximação entre a experiência israelense e o potencial brasileiro representa, portanto, uma oportunidade estratégica. Israel mostra que grandes empresas de tecnologia podem nascer de problemas aparentemente simples quando existe uma cultura capaz de incentivar a experimentação, o empreendedorismo e a busca por soluções.
E Uri Levine, um dos empreendedores que ajudaram a colocar Israel no mapa global da inovação, agora quer ajudar o Brasil a encontrar seus próximos grandes unicórnios.
Uma rota que começou em Israel, passou pelo mundo e agora aponta para o Brasil.
