Cientistas de Israel desenvolvem córneas em impressora 3D e podem reduzir filas de transplante no mundo

Uma inovação desenvolvida em Israel promete transformar a realidade dos transplantes oculares. Pesquisadores israelenses criaram uma córnea artificial produzida por impressão 3D capaz de ampliar drasticamente a oferta de tecidos para cirurgia — e, potencialmente, reduzir a fila global de espera pelo procedimento.

A reportagem foi exibida no programa JR na TV, do portal R7.

Tecnologia desenvolvida ao longo de uma década

O avanço foi liderado pelo cientista Ari Eyal e sua equipe, especializada na aplicação de tecnologias de bioimpressão 3D à medicina regenerativa. O primeiro teste bem-sucedido ocorreu em outubro de 2025, quando uma paciente recuperou a visão após receber a córnea produzida em laboratório.

O resultado é fruto de dez anos de pesquisa, combinando engenharia biomédica, biotecnologia e inovação em materiais biocompatíveis.

Como funciona a nova córnea artificial

A córnea é fundamental para a visão, pois permite a entrada e o foco da luz no interior do olho. Por estar constantemente exposta, é vulnerável a infecções, traumas e doenças degenerativas.

Hoje, cerca de 13 milhões de pessoas aguardam um transplante de córnea no mundo. A principal limitação é a escassez de doadores, o que faz com que apenas uma pequena parcela consiga realizar a cirurgia.

O método desenvolvido em Israel utiliza células humanas para criar tecidos biocompatíveis, reduzindo significativamente o risco de rejeição. Um dos dados mais impressionantes da pesquisa é a capacidade produtiva: uma única amostra celular pode gerar até 500 novas córneas artificiais em apenas dois minutos por meio da impressora 3D criada pelos cientistas.

Esse ganho de escala pode alterar completamente a dinâmica global de transplantes, tornando o procedimento mais acessível e rápido.

Impacto potencial no Brasil

No Brasil, mais de 33 mil pessoas aguardam na fila por um transplante de córnea, segundo dados do Ministério da Saúde. Caso a tecnologia israelense seja validada em larga escala e aprovada pelas autoridades regulatórias internacionais, o impacto pode ser significativo também para o sistema de saúde brasileiro.

A inovação se soma a outras iniciativas israelenses nas áreas de saúde digital, biotecnologia e medicina de precisão, consolidando o país como um dos polos globais de pesquisa aplicada à saúde.

Se confirmados os resultados clínicos em estudos ampliados, a impressão 3D de córneas pode representar não apenas um avanço científico, mas uma mudança estrutural no acesso à visão para milhões de pessoas em todo o mundo.